sábado, 14 de agosto de 2010
O selvagem mundo do berçário (Dia dos Pais)
Há quem ache que os bebês são criaturinhas dóceis e amáveis. E muitas vezes o são. Mas só quem passa o dia inteiro com esses seres com rostinhos angelicais é que sabe que eles também podem ser diabinhos.
Ontem, festinha dos Dia dos Pais (fora de época) na creche que Rafael, tudo pronto, pais ansiosos para receber sua lembrancinha e receber o abraço do filho. Pois bem. Dez, vinte minutos e nada de começar o “evento”.
Fui até a coordenadora para saber o porquê do atraso.
-- Houve um incidente mais cedo. Um bebê mordeu outro no nariz e os pais dos dois estão conversando com a diretora. -- disse em tom de cochicho.
Esse mesmo bebê que “atacou” o colega já havia mordido também Rafael, mas a versão que me contaram era de que o neguinho estava tentando tomar um brinquedo do bebê, que só teria se defendido.
Agora, já reincidente, o bebê de mandíbula nervosa entrou para a lista dos meninos perigosos do lugar. E olhe que ele é dos pequenininhos!
Mas não foi a mordida que me espantou. O que me assusta é que os pais das duas crianças tenham levado quase uma hora discutindo (na frente dos filhos) este ocorrido. Não consigo nem imaginar o que foi dito na sala da diretora.
Tudo bem, é muito chato ver seu filho ferido e claro que todos os pais gostariam de manter seus filhos protegidos 24h por dia. Mas numa situação em que duas crianças de menos de dois anos de idade arengam, o máximo que se pode “exigir” é que os dois tenham maior “vigilância”.
Afinal, esses meninos estão aprendendo a conviver com outros e a dividir as coisas. Acredito ser natural que uma desavença aconteça vez por outra.
Mas já que estamos falando em proteger nossos filhos. Será que a melhor coisa a fazer quando dois bebês arengam é montar uma cena em que os pais se enfrentem na frente dos filhos? Acho que não.
Os meninos precisam aprender a se defender, no máximo recebendo uma ajuda para minimizar ainda mais possíveis “danos”, mas acho que os pais não devem roubar a briga para si.
Claro que ninguém vai permitir que nenhum bebê agrida o outro, muito menos se houver diferença de tamanho e força, mas se todas as “lutas” das crianças forem feitas por seus pais, vamos criar uma geração que não sabe se defender e criar vítimas em potencial.
Meninos e meninas que se tornam adolescentes e adultos que não conseguem se proteger e que adoecem, entram em depressão e se escondem da vida. Vamos deixar os meninos arengar, pelo menos enquanto a disputa for justa.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

1 comentários:
Amélie também está na lista negra do berçário. A tia colocou um recadinho na agendinha "Nossa princesa mordeu e puxou o cabelo de outros bebês. Por isso ela ficou mais pertinho da gente hoje" kkkkkkk "mais pertinho" leia-se ficou de castigo no quadrado! kkkkkk
Postar um comentário